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Marcelo Aguilar é consultor e palestrante em formação e gestão estratégica de pessoas.
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Quem sabe, faz!

Não basta saber planejar e falar. Um grande líder tem que mostrar que sabe o “fazer acontecer”!


Por Marcelo Aguilar

É impressionante o número de pessoas que reclamam que, apesar de todos os seus esforços, as coisas não saem como planejadas. Elas crêem no que fazem em benefício da organização e das pessoas que nela trabalham, mas, por mais que falem de sua visão, e de sua proposta de ação, não conseguem “o fazer acontecer”. Por quê? Por que pessoas com boas idéias nem sempre conseguem colocá-las em prática?

A história nos ajuda a responder a estas questões. Podemos olhar para trás e aprender a identificar os erros que cometemos, para não repetir os mesmos desacertos. Quanto ao futuro, novos erros podem ser evitados pela conjunção das capacidades de abstração e reflexão, com uma pitada de intuição. Porém, essas capacidades só podem ser desenvolvidas com o “combustível” chamado conhecimento, que carrega, entre outras coisas, de novo, a história.

Mikhail Gorbachev chegou ao poder na extinta União Soviética para tentar reverter a estagnação de quase três décadas em que estava mergulhada a nação, em todas as áreas, com uma grave situação de retrocesso na área social. Reformista apaixonado e sincero, além de ser o único com uma proposta política coerente, Gorbachev sucumbiu justamente por causa de seu calcanhar-de-aquiles: ele não conhecia o suficiente as forças internas do partido e do estado corruptos do qual assumira o controle. Quando vieram as eleições seguintes, uma minoria, defendendo seus interesses, apoiou Boris Yeltsin para a presidência da Rússia, o principal estado-nação da URSS. Yeltsin era proveniente das bases da sociedade e, como bom oportunista, sabia entender, acomodar e usar em seu proveito os interesses diversos, mobilizando as massas para atingir seu objetivo de chegar ao poder. Gorbachev, apesar de ser o único com uma proposta de manutenção da integridade da URSS e de ter um cargo que lhe concedia poderes enormes, não sabia fazer o que Yeltsin fazia tão bem: articular! Os dois foram líderes, com capacidades diferentes e, por não saberem ajustar suas diferenças, aceleraram o processo de desintegração da URSS.

Mas a história não nos dá somente exemplos negativos. Na mesma época que a União Soviética se desintegrava, a IBM, até então o maior fenômeno organizacional existente, passava por uma situação similar. Via o valor de suas ações despencar por erros estratégicos de líderes que surgiram de suas próprias bases. Pessoas que não sabiam lidar com o mercado, assim como Gorbachev. Foi necessário importar um executivo chamado Louis Gerstner, também conhecido à época como Mr. Nabisco, que nada entendia de computadores, mas sabia fazer acontecer. Graças a quase uma década de trabalho, ele re-posicionou a IBM como uma empresa líder em seu segmento de mercado. O grande líder sabe, também, a hora de sair de cena. Recentemente ele fez a transição tranqüila de poder para Sam Palmisano, sem provocar grandes quedas no valor das ações da companhia que ajudou a reerguer.

O grande líder sabe que sua liderança é conjuntural. Sabe que se as circunstâncias mudarem só existem duas opções: (1) ele se adapta a elas, ou (2) abre espaço para seu sucessor. O verdadeiro líder sabe que sua liderança é baseada na confiança que ele conquista de seus seguidores. Estes, por sua vez, querem sentir-se seguros de que o líder sabe o que está fazendo. Caso contrário, a tão desejada liderança se esvai. Uma boa dica para detectar se o líder sabe o que está fazendo é verificar a saúde dos seus seguidores mais fiéis. Caso eles estejam ficando ansiosos, estressados ou doentes, significa que o líder pode até ter uma boa visão, mas não está sabendo “fazer acontecer” as coisas de forma tranqüila e no seu devido tempo. Então, dê uma olhada no estado de saúde física e emocional da sua equipe e pergunte a si mesmo: estarei eu sendo um bom líder?