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| Marcelo Aguilar é consultor e palestrante em formação e gestão estratégica de pessoas. |
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O poder corrompe?
Faltam bons exemplos de virtude nos nossos líderes, que se julgam acima da lei e justificam seus atos como meios necessários para atingir fins nobres.
Por Marcelo Aguilar
Recebi de presente, no meu último aniversário, um livro que já havia lido há mais de uma década. A dedicatória deste meu grande amigo dizia: "...que aproveite as profundas e sutis lições de Dom Nicolau, para fazer bem o bem, o mais rápido possível". Como eu leio todos os livros que me dão, mesmo os que já li anteriormente, a lista está grande, mas reservei o final de ano para lê-lo. Era O Príncipe, de Nicolau Maquiavel.
Foi muito interessante receber este livro e ver os escândalos da Parmalat na mídia, repetindo o que ocorreu com empresas americanas há pouco tempo, e poder cruzar este tipo de comportamento com as denúncias de manipulação da informação pelo primeiro ministro da Inglaterra e pelo presidente dos EUA na guerra contra o Iraque. Mais recentemente, com o escândalo do PT na arrecadação de propina nas eleições de 2002, lembrei-me de um capítulo em particular: "Dos novos principados conquistados mercê das próprias armas ou da virtude". Trata-se da dificuldade dos novos príncipes na manutenção dos seus principados. Diz que a dificuldade será maior ou menor de acordo com o caráter mais ou menos virtuoso daquele que o conquistou.
É impressionante como este assunto é atual na nossa vida pública e privada. Imagine quantos não criticarão, por exemplo, a promoção do João ou da Luíza a um cargo de direção. Mesmo sendo eles competentes e virtuosos, serão atacados por muitos. Terão sua conquista desdenhada e criticada pelos invejosos e menos competentes.
Agora, imagine se eles não tiverem um bom caráter? Além disso, se forem altamente predadores (competitivos?), e parciais nas suas posições. As dificuldades para manter suas posições serão imensas. Isto é válido nas organizações públicas e nas privadas. O PT, enquanto oposição, era recordista de pedidos de CPI contra corrupção, porém agora articula para que uma não seja formada - usando as mesmas artimanhas que antes criticava. O dono da Parmalat está preso, com seus filhos, por roubo e prejuízo à sociedade capitalista. Bush irá enfrentar uma eleição dura e será julgado pela história. Diretores da Enron estão na cadeia.
Será que as pessoas perdem sua virtude quando conquistam o poder? Ou será que já a tinha perdido antes de conquistá-lo? Ou será que só o conquistaram porque a perderam? Será que os virtuosos que conquistam o poder, e continuam virtuosos, permanecem mais tempo no poder e serão lembrados como heróis? Tantas questões, mas todas respondidas neste pequeno livro centenário de Maquiavel.
Análises simplistas levam a crer que o livro se destina a ensinar a manipular as situações a seu favor. Fazendo uma análise superficial, o livro não trata disso, mas sim de como conquistar e preservar seu principado (poder). O interessante é que ele exalta virtudes como lealdade, coragem e arrojo. Existe crueldade? As que forem necessárias para defender seu principado. O Príncipe será tão forte quanto forte for seu povo, e seu povo será tão virtuoso quanto virtuoso for seu Príncipe. E o principado será tão forte quão virtuoso for seu povo, ou seja, a responsabilidade do sucesso é inteiramente dependente da virtuosidade do Príncipe.
Não é isso que temos acompanhado. Faltam bons exemplos de virtude nos nossos líderes, que se julgam acima da lei e justificam seus atos como meios necessários para atingir fins nobres. Porém, os meios corrompidos corrompem o fim nobre. Impérios já foram varridos anteriormente pela falta de virtude de seu povo. Impérios estão sendo varridos atualmente, todos os dias na mídia. Você quer ser líder? Como você quer ser lembrado? Pense nisso, enquanto você trilha seu caminho de sucesso.
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