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Marcelo Aguilar é consultor e palestrante em formação e gestão estratégica de pessoas
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A ação inteligente

Algumas pessoas se perdem nas reais intenções de suas ações e provocam reações inesperadas. Você é uma destas pessoas?

Por Marcelo Aguilar

“Toda ação corresponde a uma reação de mesma intensidade e sentidos opostos”. Isto é o que diz a terceira lei de Newton, considerado um dos pais da física. Caso você dê uma topada na parede, ela devolve a força desta topada para você. Esta lei permanece válida, atual e continua plenamente aplicável aos fenômenos físicos, apesar de ter quase 300 anos. Mas, como fica a aplicação desta lei aos fenômenos psicológicos do ser humano? A primeira parte da lei continua válida. “Toda ação corresponde a uma reação”, mas não necessariamente de mesma intensidade e de sentido oposto ... hein?


Antes de mais nada, é bom lembrar que a parede não tem memória emocional. O ser humano, por sua vez, consegue guardar os sentimentos associados a acontecimentos passados e resgatá-los quando estimulados. É por isso que nos emocionamos ao ler um livro, ou ao assistir um filme. Com isto, podemos explicar porque às vezes nos surpreendemos com as reações das outras pessoas e ficamos com cara de bobo dizendo “mas eu não fiz nada”, ou de zangado com “você me interpretou errado ...”


Segundo Charles Sanders Peirce, o pai da semiótica, há dois tipos de ações:


1. ações mecânicas, nde há apenas uma ação e uma reação 


2. ações inteligentes, que contêm um trinômio em que interagem intenção, ação e reação.


A vida nos mostra que nem toda ação inteligente é, realmente, inteligente. Afinal, nem sempre conseguimos a reação que desejamos. Isto indica que nossa intenção, ou ação não era a correta para aquele momento. Uma coisa tem que ficar clara ao verdadeiro líder sobre as relações humanas: não existe ação sem intenção! A intenção pode ser inconsciente, mas existe. Logo, também não existe a desculpa: “mas eu não fiz nada ...”


Os grandes líderes aprendem logo cedo que todas as suas ações são providas de intenções conscientes. São intenções que pretendem desencadear reações esperadas dentro de um certo grau e intensidade, mas que nem sempre ocorrem da forma prevista. Isto exige que eles analisem as reações e reflitam sobre suas intenções e ações, fazendo ajustes contínuos e constantes.


A frase do economista Eduardo Giannetti em seu livro filosófico sobre “Felicidade” é totalmente aplicável a este contexto. “O futuro despe o passado. Nossas escolhas têm conseqüências imprevistas”. afirma Giannetti. E quanto mais inconscientes forem nossas escolhas, mais imprevisíveis serão as reações da vida. Reveja e reflita sobre suas ações e intenções e assuma, finalmente, a sua responsabilidade sobre as reações das pessoas com quem você convive. Ninguém disse que ser líder era fácil, disse?