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| Eugenio Mussak é educador. Atua como consultor nas áreas de desenvolvimento humano e de soluções educacionais. |
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Alegria é vantagem competitiva, acredite!
Textos modernos de administração têm dedicado espaço crescente ao tema "clima organizacional", neles a alegria tem vaga garantida.
Por Eugenio Mussak
Muitas vezes já se disse que o Brasil começa mesmo é depois do carnaval. Pois bem, o carnaval passou, as pessoas tiveram a oportunidade de divertir-se ou de descansar e agora estamos todos diante da perspectiva do trabalho, ou do estudo, ou de ambos. Acabou a alegria e começa o batente. Será?
Férias, festas, carnaval são pensados em função da alegria, mas todos sabemos que eles dão o maior trabalho para serem organizados, senão não funcionam. Quem já organizou uma festa digna do nome, ou já empreendeu uma viagem que queria que fosse perfeita, conhece bem a trabalheira que vem antes do sucesso. A alegria extasiante dos desfiles das escolas de samba e das festas que acontecem nas arquibancadas e camarotes têm, por trás, meses de labuta, e muita, de um batalhão de pessoas envolvidas.
É, não dá para afastar o trabalho da alegria. E porque então afastar a alegria do trabalho? Textos modernos de administração têm dedicado espaço crescente ao tema "clima organizacional". A maioria refere-se ao tal clima como um estado psicológico instalado no ambiente de trabalho, capaz de influir na produtividade e no resultado. Nesse capítulo, a alegria tem vaga garantida. Não a alegria tola, momesca, distanciada da inteligência e do bom gosto. Mas sim a alegria sofisticada de indivíduos pensantes que se percebem e percebem os outros como seres integrais; pessoas modernas que precisam sentir que seu trabalho lhes confere felicidade por dois motivos: pelo resultado obtido e pelo trabalho em si mesmo.
Trabalho sinônimo de tortura é uma visão medieval. A idéia de que você tem um lugar para trabalhar, chamado emprego, outro para aprender, chamado escola, e outro para ser feliz, que você pode escolher, desde que não seja um dos dois anteriores, já foi devidamente sepultada, pois se choca com a essência do ser humano.
Atualmente queremos ser produtivos e alegres ao mesmo tempo. Queremos sentir que estamos aprendendo em nosso trabalho. Queremos escolas que ensinam nossos filhos a encontrar alegria o ato de aprender. O prazer é fundamental para o equilíbrio mental. Não podemos menosprezar a alegria.
Este é o desafio. O carnaval terminou, mas alegria não precisa terminar com ele. Faltam menos de doze meses para o próximo, e pretendemos usar esse tempo alegremente. A alegria é importante por que nos dá prazer, mas também pelo que ela representa, pois onde há alegria há também outros valores. A União Européia, por exemplo, adaptou o quarto movimento da nona sinfonia de Beethoven para ser seu hino. Acontece que nesse movimento o genial compositor introduziu vozes humanas, entoando a Ode à Alegria, composta por Friedrich von Schiller. E fez isso porque a ode à alegria é, ao mesmo tempo, uma ode a três ideais universais: liberdade, paz e solidariedade.
Se você pensar um pouco verá que esses três valores, precursores da alegria, podem ser vivenciados em todos os nossos ambientes, desde o doméstico até o profissional. Experimente adotar os princípios da liberdade, da paz e da solidariedade humana em todas as suas relações, como os colegas de trabalho, os clientes, os amigos, os familiares e até os desconhecidos na rua. O resultado será um estado interior de alegria. Não é o mesmo que felicidade, mas faz parte dela.
Porque precisamos do carnaval para unir as pessoas em torno da alegria? Porque precisamos do efeito do samba envolvente, da fantasia e da cerveja para sermos alegres? A resposta é que não precisamos. Gostamos da farra, mas também podemos ser alegres no dia a dia, no trabalho, na escola, na rua. Como povo, somos. O Brasil é reconhecido como um país alegre, propenso ao sorriso, à festa, ao espetáculo. Não temos o direito de desvalorizar essa qualidade, que recebemos por herança das gerações que deram molejo ao povo brasileiro. Precisamos caprichar na competência, mas sem perder a ginga. A mais bela estrofe da Ode à Alegria deixa uma mensagem que estimula o pensamento. Diz: "ó alegria, permita que a tua magia una aqueles que as leis dos homens separam...". Alegria é vantagem competitiva, acredite.
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